Amendoim: orgulho de Jaboticabal - uma história que nasceu no campo e se tornou identidade

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Equipe CPL do Amendoim

Cena ilustrativa de lavoura de amendoim e paisagem rural durante o dia.
A lavoura faz parte da identidade regional do amendoim. Imagem ilustrativa.

Existem produtos que apenas são produzidos em uma cidade. E existem aqueles que, com o passar do tempo, começam a contar parte da história daquele lugar.

Em Jaboticabal, o amendoim chegou a esse segundo grupo.

Ele está presente nas lavouras, na economia, nas empresas, na pesquisa, nos eventos e nas histórias de produtores que acompanharam profundas mudanças no campo ao longo de décadas. Também está relacionado à industrialização, ao comércio, à tecnologia, à gastronomia e a uma cadeia produtiva que se tornou referência regional.

Por isso, a expressão “Amendoim: orgulho de Jaboticabal” pode ser compreendida como mais do que um slogan. Ela resume uma relação territorial construída por pessoas, conhecimento, produção e desenvolvimento.

Essa identidade possui reconhecimento oficial. Em 2018, a Lei Estadual nº 16.640 declarou Jaboticabal “Capital do Amendoim” no Estado de São Paulo [1]. Mais recentemente, em 2025, a cadeia do amendoim de Jaboticabal foi reconhecida no Programa SP Produz como CPL Consolidada, reforçando a existência de uma estrutura produtiva e institucional articulada ao redor do setor [2].

Para compreender por que um pequeno grão ganhou tamanho significado, é necessário olhar para a história que existe antes dele chegar à mesa.

Por que falar em “orgulho de Jaboticabal”?

Orgulho regional não nasce apenas de números de produção. Ele aparece quando uma comunidade reconhece em determinada atividade parte de sua trajetória, de seu trabalho e de sua identidade.

No caso de Jaboticabal, o amendoim reúne diferentes dimensões ao mesmo tempo:

  • produção agrícola;
  • experiência acumulada no campo;
  • empresas e cooperativas;
  • beneficiamento e indústria;
  • pesquisa e ensino;
  • inovação e mecanização;
  • eventos técnicos e comerciais;
  • gastronomia e consumo;
  • geração de oportunidades econômicas.

O projeto Fortalece Amendoim: Valorização da Imagem Regional parte justamente dessa visão mais ampla. Entre seus objetivos está promover a valorização da imagem e da identidade territorial do amendoim de Jaboticabal e região, fortalecendo seu reconhecimento cultural, econômico e mercadológico [3].

Portanto, não se trata de criar artificialmente uma identidade. Trata-se de reconhecer, organizar e comunicar uma relação que já existe no território.

Composição ilustrativa sobre Jaboticabal como Capital do Amendoim.
Jaboticabal e sua identidade como Capital do Amendoim. Imagem ilustrativa.

Jaboticabal é oficialmente a Capital do Amendoim

Em 5 de janeiro de 2018, foi sancionada a Lei Estadual nº 16.640, que declarou oficialmente Jaboticabal como “Capital do Amendoim” no Estado de São Paulo [1].

O título tem valor simbólico e institucional. Ele reconhece uma relação construída anteriormente entre o município e a cultura agrícola.

Uma lei não cria sozinha uma tradição. Ela formaliza um reconhecimento que se sustenta em décadas de produção, especialização, conhecimento e presença econômica do setor.

Por isso, usar a expressão “Capital do Amendoim” no conteúdo institucional de Jaboticabal não significa fazer uma afirmação publicitária sem base: existe um ato legal estadual que sustenta esse posicionamento [1].

Cena ilustrativa de duas gerações contemplando uma lavoura de amendoim.
Conhecimento e experiência atravessam gerações no campo. Imagem ilustrativa.

Uma relação construída ao longo de décadas

A ligação entre Jaboticabal e o amendoim é antiga. A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo registra que a cultura já possuía produção comercial na região em meados do século XX e destaca o desenvolvimento de conhecimento técnico e produtivo acumulado pelos agricultores locais [4].

Ao longo desse período, praticamente tudo mudou:

  • formas de plantio;
  • cultivares utilizadas;
  • equipamentos;
  • mecanização;
  • padrões de qualidade;
  • exigências de mercado;
  • organização da cadeia;
  • possibilidades de comercialização.

Apesar dessas transformações, o amendoim permaneceu relevante.

Esse processo ajuda a compreender o significado de tradição no agronegócio. Tradição não significa repetir eternamente as mesmas práticas. Muitas vezes, uma atividade permanece importante justamente porque aprende, incorpora tecnologia e se adapta.

Cena ilustrativa de produtor caminhando por uma lavoura de amendoim.
O produtor está na base da história do amendoim. Imagem ilustrativa.

Conhecimento transmitido entre gerações

Uma parte da força de uma região agrícola não está registrada apenas em máquinas, documentos ou estatísticas. Ela também está no conhecimento das pessoas.

A história institucional divulgada pela Alesp destaca a experiência acumulada pelos produtores da região e a transmissão de conhecimento entre gerações [4].

Quem trabalha com uma cultura ao longo dos anos desenvolve percepção sobre:

  • comportamento das plantas;
  • características do solo;
  • condições climáticas;
  • épocas de operação;
  • colheita;
  • qualidade;
  • riscos e oportunidades de cada safra.

Esse conhecimento prático não substitui a ciência. Ele pode dialogar com ela.

Quando experiência de campo, pesquisa científica e assistência técnica se encontram, cria-se um ambiente mais favorável à evolução da produção.

Valorizar o amendoim, portanto, também significa reconhecer quem acumulou e compartilhou esse conhecimento ao longo do tempo.

Amendoim e renovação dos canaviais

A história do amendoim na região está ligada a outra cultura muito importante para o interior paulista: a cana-de-açúcar.

Estudos do Instituto de Economia Agrícola descrevem a presença do amendoim em áreas de renovação de canaviais no Estado de São Paulo, inserindo a cultura em sistemas agrícolas associados ao setor sucroenergético [5]. A história regional apresentada pela Alesp também registra essa relação [4].

Esse sistema ajudou a criar condições para que o amendoim ocupasse áreas em determinados momentos do ciclo da cana e contribuiu para a especialização regional.

A importância desse ponto está em mostrar que a expansão do amendoim não aconteceu isoladamente. Ela faz parte da dinâmica agrícola do território e da capacidade dos produtores de organizar diferentes culturas dentro de um sistema produtivo.

Cena ilustrativa de mecanização e leiras de amendoim no campo.
A mecanização acompanha a evolução da produção. Imagem ilustrativa.

Da colheita manual à tecnologia no campo

A produção atual é muito diferente daquela observada décadas atrás.

A história registrada pela Alesp relata períodos em que operações relacionadas à colheita demandavam grande quantidade de mão de obra e eram executadas manualmente [4]. Com a evolução da cadeia, equipamentos, mecanização, pesquisa e novas cultivares passaram a fazer parte de sistemas de produção mais modernos.

Hoje, falar em amendoim também significa falar sobre:

  • mecanização;
  • pesquisa genética;
  • planejamento agrícola;
  • controle de qualidade;
  • tecnologias de manejo;
  • processamento;
  • informações de mercado.

Essa evolução quebra uma falsa oposição entre tradição e inovação.

Jaboticabal preserva sua relação histórica com o amendoim justamente porque essa cadeia não ficou parada no tempo.

Da produção regional aos mercados internacionais

Com o desenvolvimento da cadeia, o amendoim produzido e processado na região passou a alcançar mercados cada vez mais distantes.

A história institucional da Alesp registra a abertura de mercados internacionais e o avanço de certificações e padrões relacionados à segurança e qualidade dos alimentos entre organizações da região [4].

Participar de mercados externos exige muito mais do que produzir volume. Dependendo do destino e do produto, entram em cena exigências ligadas a:

  • padronização;
  • qualidade;
  • segurança dos alimentos;
  • rastreabilidade;
  • armazenagem;
  • logística;
  • processamento;
  • documentação;
  • conhecimento comercial.

Isso ajuda a explicar por que uma cadeia produtiva amadurece quando consegue conectar campo, indústria, pesquisa, serviços e mercado.

O produto continua começando na lavoura, mas seu destino pode estar a milhares de quilômetros de distância.

Cena ilustrativa de pesquisa em parcelas experimentais de amendoim.
Pesquisa e conhecimento contribuem para o desenvolvimento da cultura. Imagem ilustrativa.

Campo, pesquisa e conhecimento caminham juntos

Jaboticabal também possui um ambiente acadêmico e científico fortemente conectado ao agronegócio.

A presença da Unesp e de outras instituições permite que a produção agrícola dialogue com pesquisa, extensão, formação de profissionais e eventos técnicos. A própria história regional registra encontros técnico-científicos relacionados à cultura do amendoim e a aproximação entre produtores, pesquisadores e organizações do setor [4].

Essa conexão é estratégica porque diferentes atores enxergam o mesmo problema por ângulos diferentes:

O produtor conhece a realidade da lavoura. O pesquisador investiga mecanismos e alternativas. A empresa desenvolve produtos e tecnologias. A indústria apresenta requisitos de processamento e mercado. As instituições ajudam a articular projetos, capacitações e políticas.

Quando essas partes conseguem trocar conhecimento, a região deixa de ter apenas uma produção importante e passa a construir um ecossistema de conhecimento ligado ao amendoim.

Composição ilustrativa dos diferentes elos da cadeia produtiva do amendoim.
Diferentes elos trabalham pela força da cadeia do amendoim. Imagem ilustrativa.

Uma cadeia cresceu ao redor do amendoim

O amendoim não movimenta somente a propriedade rural.

Antes do plantio existem sementes, máquinas, insumos, serviços e assistência técnica. Depois da colheita entram transporte, armazenagem, beneficiamento, processamento, indústria e distribuição. Ao redor dessas atividades existem pesquisa, comércio, tecnologia, comunicação, eventos e instituições de apoio.

O Plano de Trabalho da CPL organiza essa visão por elos e reconhece a importância da integração entre fornecimento de insumos, produção agrícola, transformação industrial, comercialização e distribuição e apoio institucional [3].

Quando enxergamos esse conjunto, a frase “orgulho de Jaboticabal” deixa de falar apenas sobre uma planta.

Ela passa a representar tudo o que foi construído ao redor dela.

Cena ilustrativa de feira com produtos de amendoim e visitantes.
Feiras aproximam os produtos de amendoim da população. Imagem ilustrativa.

Cultura, eventos e convivência

Uma identidade regional se fortalece quando ultrapassa os limites do ambiente profissional.

O amendoim também aparece em:

  • festas;
  • receitas tradicionais;
  • produtos locais;
  • eventos;
  • feiras;
  • atividades gastronômicas;
  • encontros técnicos e empresariais.

A Feira Nacional do Amendoim é um exemplo de espaço capaz de aproximar diferentes públicos da cadeia. Produtores, empresas, pesquisadores, estudantes, instituições e consumidores podem ocupar o mesmo ambiente com interesses diferentes, mas conectados ao mesmo produto.

Esse tipo de interação faz com que o amendoim deixe de ser percebido apenas como uma commodity agrícola. Ele passa a ocupar também um espaço de cultura, convivência e reconhecimento territorial.

Da Capital do Amendoim à CPL Consolidada

Em 2025, a cadeia do amendoim de Jaboticabal recebeu outro marco institucional: o reconhecimento no Programa SP Produz como CPL Consolidada [2].

Esse reconhecimento está relacionado à existência de uma cadeia organizada, com diferentes atores, governança e relevância econômica e territorial.

O processo de estruturação também aparece no Regimento Interno, que organiza instâncias como Assembleia Geral, Conselho de Administração, Conselho de Governança, Entidade Gestora, Conselho Consultivo e grupos de trabalho [6].

Isso demonstra uma evolução importante.

Primeiro existe a produção. Depois se desenvolvem empresas, pesquisa, serviços, mercados e relações institucionais. Com o amadurecimento, surge a necessidade de organizar a governança da própria cadeia.

Orgulho também significa olhar para o futuro

Valorizar a história não significa transformar o passado em uma peça de museu.

Se o amendoim é motivo de orgulho, esse orgulho também cria responsabilidade sobre aquilo que será construído daqui para frente.

O futuro da cadeia envolve desafios como:

  • inovação;
  • sustentabilidade;
  • qualidade;
  • competitividade;
  • acesso a informação;
  • formação profissional;
  • novos mercados;
  • desenvolvimento de produtos;
  • valorização territorial;
  • integração entre os atores.

O projeto Fortalece Amendoim foi estruturado justamente com ações relacionadas a inteligência de mercado, comunicação, valorização da identidade regional, educação e fortalecimento da cadeia [3].

Assim, orgulho não significa somente lembrar o que já foi construído.

Significa criar condições para que a próxima geração tenha novos capítulos para contar.

Por que valorizar essa identidade?

Territórios possuem histórias econômicas, produtivas e culturais.

Quando a população conhece melhor aquilo que é produzido ao seu redor, passa a enxergar o produto de forma diferente.

O amendoim deixa de ser apenas aquilo que aparece em uma embalagem. Passamos a enxergar:

  • quem planta;
  • quem pesquisa;
  • quem transforma;
  • quem transporta;
  • quem comercializa;
  • quem desenvolve tecnologia;
  • quem cria produtos;
  • quem organiza a cadeia.

Essa percepção ajuda a criar pertencimento.

E pertencimento é importante porque uma cadeia produtiva também depende de reputação, conhecimento e reconhecimento social.

O papel da CPL do Amendoim

A CPL do Amendoim contribui para organizar e aproximar os diferentes participantes dessa história.

Seu papel não é substituir produtores, empresas, universidades ou instituições. É criar condições para que os atores dialoguem, compartilhem informações, definam prioridades e desenvolvam ações coletivas.

A estrutura de governança formalizada pelo Regimento e os objetivos definidos no Plano de Trabalho dão sustentação institucional a essa atuação [3][6].

Assim, a CPL pode ajudar a transformar orgulho em ação:

  • orgulho que conhece a própria história;
  • orgulho que valoriza pessoas;
  • orgulho que comunica informação confiável;
  • orgulho que estimula inovação;
  • orgulho que fortalece o território.

O amendoim de Jaboticabal não representa apenas aquilo que é plantado.

Representa uma história que atravessou gerações, incorporou tecnologia, encontrou a pesquisa, chegou à indústria, conquistou mercados e continua criando oportunidades.

Amendoim: orgulho de Jaboticabal.

Perguntas frequentes

Selecione uma pergunta para ler a resposta.

Por que Jaboticabal é chamada de Capital do Amendoim?

Porque a relação histórica e econômica do município com a cultura recebeu reconhecimento oficial por meio da Lei Estadual nº 16.640, de 5 de janeiro de 2018, que declarou Jaboticabal “Capital do Amendoim” no Estado de São Paulo [1].

Há quanto tempo Jaboticabal possui relação com a produção de amendoim?

Fontes institucionais registram produção comercial e desenvolvimento do conhecimento regional relacionado à cultura desde meados do século XX [4].

O amendoim é importante apenas para a agricultura?

Não. Sua cadeia envolve fornecedores, produtores, cooperativas, indústria, transporte, distribuição, comércio, pesquisa, universidades, serviços e instituições. O Plano de Trabalho da CPL considera diferentes elos dessa cadeia [3].

O que significa “Amendoim: orgulho de Jaboticabal”?

É uma forma de sintetizar a relação entre o produto e a identidade territorial, reconhecendo não apenas a cultura agrícola, mas também as pessoas, o conhecimento, a economia, a história e as oportunidades construídas ao redor da cadeia.

Jaboticabal possui reconhecimento oficial da cadeia produtiva?

Sim. Além do título de Capital do Amendoim, a cadeia de Jaboticabal foi reconhecida em 2025 no Programa SP Produz como CPL Consolidada do Amendoim [2].

Qual é a relação entre o amendoim e a pesquisa em Jaboticabal?

A região possui histórico de aproximação entre produção e instituições científicas, com pesquisa, extensão, encontros técnicos e atividades de formação ligadas ao agronegócio e à cultura do amendoim [4].

Qual é o papel da CPL do Amendoim?

A CPL busca fortalecer a articulação entre os diferentes atores da cadeia, ampliar a circulação de informações, apoiar planejamento e projetos coletivos e valorizar a identidade territorial do setor [3][6].

Orgulho se fortalece quando conhecemos a nossa história.

Por trás do amendoim existem décadas de trabalho, conhecimento, transformação e pessoas que ajudaram a construir uma das identidades produtivas mais importantes de Jaboticabal.

Acompanhe a CPL do Amendoim e conheça mais sobre quem planta, pesquisa, transforma, comercializa e trabalha para que essa cadeia continue avançando.

Amendoim: orgulho de Jaboticabal.

Fontes e referências

[1] Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – Lei nº 16.640/2018 – declaração oficial de Jabo- ticabal como Capital do Amendoim. [2] Prefeitura Municipal de Jaboticabal – reconhecimento da CPL do Amendoim – reconhecimento como CPL Consolidada em 2025. [3] Plano de Trabalho – Fortalece Amendoim: Valorização da Imagem Regional – objetivos de identidade territorial, comunicação, integração da cadeia e desenvolvimento regional. [4] Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – história do amendoim em Jaboticabal – contexto histórico, produtores, mecanização, pesquisa, exportação e eventos. [5] Instituto de Economia Agrícola – estudos sobre amendoim e renovação de canaviais – contexto produtivo paulista. [6] Regimento Interno registrado da estrutura de governança da CPL – instâncias de governança, responsabilidades e grupos de trabalho.

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