
Equipe CPL do Amendoim

Quando pensamos em inovação no agronegócio, é comum imaginar grandes máquinas, sensores, computadores ou equipamentos trabalhando no campo.
Tudo isso pode fazer parte da transformação tecnológica da agricultura. Mas inovar é muito mais do que comprar uma máquina nova.
No caso do amendoim, a inovação pode começar em uma semente, aparecer em uma nova cultivar, melhorar o manejo de uma doença, tornar uma operação agrícola mais eficiente, gerar informações para decisões de mercado ou resultar em um produto com características diferentes para atender à indústria e ao consumidor.
A cadeia produtiva se desenvolve quando campo, pesquisa, tecnologia, empresas, instituições e mercado conseguem compartilhar conhecimento e transformar desafios em novas soluções.

Uma inovação agrícola pode começar anos antes de chegar à propriedade rural.
Pesquisadores estudam diferentes materiais genéticos, avaliam resistência a doenças, produtividade, ciclo da planta, características dos grãos e capacidade de adaptação a diferentes sistemas produtivos.
Depois vêm experimentos, comparações e avaliações em diferentes ambientes. Somente então determinada tecnologia pode começar a chegar ao produtor.
Esse processo ajuda a explicar por que pesquisa científica e produção agrícola precisam estar conectadas.
A Embrapa registra o melhoramento vegetal, as cultivares, a mecanização, o manejo e o processamento entre os componentes técnicos do sistema de produção do amendoim [1].
A inovação que aparece no campo muitas vezes começou muito antes dele.
Uma das formas mais importantes de inovação na agricultura é o melhoramento genético.
O melhoramento convencional envolve selecionar e cruzar plantas que apresentam características desejáveis e, ao longo de diversas gerações, identificar materiais com melhor desempenho.
No amendoim, diferentes características podem ser estudadas:
O Instituto Agronômico mantém um portfólio de cultivares que evidencia essa diversidade de objetivos. Há materiais com alto teor de ácido oleico, diferentes ciclos, distintos níveis de resistência a doenças e características voltadas à confeitaria, ao consumo e à produção de óleo [2].
Um exemplo importante são as cultivares de amendoim alto oleico, desenvolvidas para combinar características agronômicas com composição do óleo de interesse para determinados mercados [3].
Isso mostra que pesquisa agrícola também precisa conversar com o mercado.
Pragas e doenças podem comprometer produtividade, qualidade e custo de produção.
Por isso, programas de melhoramento e manejo trabalham continuamente para compreender esses problemas e encontrar formas mais eficientes de controlá-los.
O portfólio do IAC apresenta cultivares com diferentes níveis de resistência ou tolerância a problemas como mancha-castanha, mancha-preta, ferrugem, viroses e estresse hídrico [2].
Uma planta mais adaptada ao sistema produtivo pode representar uma inovação tão importante quanto um equipamento eletrônico.
Tecnologia não precisa necessariamente ter uma tela.

O avanço da cultura do amendoim também está relacionado à evolução da mecanização.
Produzir em escala exige operações cada vez mais organizadas: plantio, manejo, arranquio, inversão, recolhimento, transporte e outras etapas.
A Embrapa relaciona a expansão recente da produção brasileira ao desenvolvimento de cultivares rasteiras do tipo runner, mais adaptadas à colheita mecanizada, e ao aprimoramento do sistema de produção [1].
A relação entre genética e mecanização é especialmente interessante.
Uma cultivar não precisa apenas produzir bem. Características de ciclo, crescimento e arquitetura da planta podem influenciar sua adaptação ao sistema produtivo e ao momento da colheita.
Máquina, planta e manejo precisam funcionar como partes de um mesmo sistema.
Pesquisa agrícola não serve apenas para criar novas variedades.
Ela ajuda a responder perguntas práticas: qual o momento adequado de uma operação? Como determinada cultivar se comporta em diferentes condições? Que estratégia de manejo apresenta melhor resultado? Como reduzir perdas? Como atender exigências de qualidade?
Essas respostas podem nascer de experimentos realizados por universidades, institutos de pesquisa, cooperativas e empresas.
Depois, os resultados chegam ao produtor por publicações, dias de campo, eventos, assistência técnica, consultorias e treinamentos.
O Plano de Trabalho da CPL prevê justamente ampliar o acesso a tecnologias inovadoras, organizar ou apoiar eventos de difusão tecnológica e consolidar parcerias com instituições de ensino, pesquisa, extensão, startups e agentes de inovação [4].
Conhecimento só gera transformação quando consegue circular.
Existe outro aspecto da inovação que nem sempre recebe a mesma atenção: o mercado também influencia aquilo que acontece na lavoura.
Diferentes compradores podem procurar características específicas de grão. A indústria pode precisar de determinados tamanhos, composição, padronização ou qualidade. Mercados de exportação podem possuir requisitos próprios.
As cultivares alto oleicas do IAC são um bom exemplo dessa ligação entre ciência, produção e mercado. Elas combinam características de composição do óleo, produtividade, ciclo e adequação a segmentos comerciais [3].
A inovação, portanto, pode nascer de uma necessidade do produtor, de uma demanda da indústria ou de uma oportunidade percebida no mercado consumidor.

Existe ainda um tipo de tecnologia menos visível que uma máquina, mas cada vez mais importante: informação.
Quanto está sendo produzido? Como os preços estão se comportando? Que mercados estão crescendo? Que tecnologias estão disponíveis? Quais desafios afetam produtores e indústrias?
Ter respostas para essas perguntas ajuda produtores, empresas e instituições a tomar decisões com menos incerteza.
Por isso, o projeto Fortalece Amendoim prevê uma frente específica de inteligência de mercado e a criação do Observatório do Amendoim, pensado para gerar, sistematizar e disseminar dados estratégicos [4].
Inovação também significa transformar dados em decisões.

O amendoim não precisa ser pensado apenas como grão.
A matéria-prima pode ser transformada em pastas, snacks, doces, óleos, ingredientes alimentícios e diferentes produtos.
Cada processo industrial abre espaço para inovação: novas receitas, formatos, embalagens, processos e mercados.
O Plano de Trabalho da CPL identifica a agregação de valor e o desenvolvimento de derivados como oportunidades para a cadeia [4].
Assim, a inovação não acontece apenas dentro da lavoura. Ela também pode surgir depois da porteira.
Muitas inovações agrícolas dependem de mais de um ator.
A universidade pode possuir conhecimento científico. O produtor possui experiência prática. Uma empresa pode possuir tecnologia. Uma indústria conhece necessidades do mercado. Uma instituição pode ajudar a organizar projetos.
Quando essas partes trabalham isoladamente, existe conhecimento. Quando trabalham juntas, pode surgir um ecossistema de inovação.
É exatamente essa aproximação que uma cadeia produtiva organizada pode estimular.

Essa conversa ganha significado especial em Jaboticabal.
A cidade possui tradição agrícola, instituições de ensino e pesquisa e organizações ligadas ao agronegócio.
Um exemplo recente de articulação é o Workshop Peanut Tech, divulgado pela Agência Unesp de Inovação, com foco em empreendedorismo, tecnologia e desafios da cadeia do amendoim em Jaboticabal [5].
Iniciativas desse tipo mostram a inovação funcionando na prática: diferentes profissionais olhando para os mesmos desafios e discutindo novas possibilidades.
Uma cadeia produtiva pode respeitar sua história e, ao mesmo tempo, evoluir.
O conhecimento acumulado pelos produtores pode dialogar com pesquisas científicas. A experiência de campo pode ajudar pesquisadores a identificar problemas reais. Novas tecnologias podem complementar práticas consolidadas. Novas cultivares podem se adaptar aos sistemas regionais. Dados podem ajudar empresas a enxergar oportunidades.
Tradição mostra de onde viemos. Inovação ajuda a decidir para onde podemos ir.
A CPL não é responsável por desenvolver sozinha todas as tecnologias utilizadas pelo setor. Seu papel é ajudar a conectar quem produz conhecimento com quem precisa dele.
Pode aproximar produtores, empresas, universidades, centros de pesquisa, poder público, cooperativas, entidades de apoio e empreendedores.
O projeto institucional prevê ações de geração e disseminação de informações, inteligência de mercado, eventos, capacitações, comunicação e fortalecimento do ecossistema de inovação [4].
Essa articulação é importante porque muitos desafios da agricultura não podem ser resolvidos por apenas uma pessoa ou empresa.
Eles exigem cooperação.
Por isso podemos dizer: amendoim também é inovação.
Quando pesquisa, campo, empresas e instituições caminham juntos, toda a cadeia ganha novas possibilidades para evoluir.
Selecione uma pergunta para ler a resposta.
Sim. A inovação pode envolver melhoramento genético, novas cultivares, manejo de pragas e doenças, mecanização, processos produtivos, análise de dados, qualidade dos grãos e desenvolvimento de novos produtos.
São materiais vegetais selecionados por características específicas, como produtividade, ciclo, resistência, qualidade do grão e adaptação ao sistema de cultivo.
É o amendoim cuja composição do óleo apresenta maior proporção de ácido oleico. O IAC desenvolveu diferentes cultivares com essa característica, combinando demandas de mercado e desempenho agronômico.
Não. Mecanização é importante, mas tecnologia também pode envolver genética, manejo, pesquisa, informação, processos industriais, qualidade e soluções de mercado.
Sim. A região reúne pesquisa, ensino, empresas e eventos. Um exemplo é o Workshop Peanut Tech, divulgado pela Agência Unesp de Inovação.
A CPL busca aproximar os atores da cadeia, disseminar informação, estimular conexões entre pesquisa, produção e mercado e apoiar iniciativas de fortalecimento da inovação regional.
Conhecimento também fortalece a cadeia. Acompanhe a CPL do Amendoim e conheça pesquisas, tecnologias, eventos e iniciativas que ajudam a construir o futuro da cadeia produtiva de Jaboticabal e região.
Amendoim também é inovação.
Cadeia Produtiva Local do Amendoim de Jaboticabal, unindo produtores, empresas, instituições e poder público para valorizar o amendoim regional e fortalecer o desenvolvimento da região.